PCdoB se prepara para a fase inicial da campanha eleitoral


 

A Comissão Política Nacional do PCdoB, reunida no último dia 30/5, em São Paulo, fez um balanço da fase atual do processo de preparação do Partido para o grande embate eleitoral de outubro próximo. Ainda nesta reunião, foi realizada uma discussão sobre a nova política de quadros do PCdoB, com a apresentação – por parte do relator Walter Sorrentino – do documento elaborado por uma Comissão Especial do Comitê Central

 

Por Pedro de Oliveira


 

Foi a primeira reunião dos comunistas brasileiros realizada em sua sede própria, na longa trajetória histórica de 86 anos de lutas pela liberdade, democracia, em defesa dos direitos do povo e da soberania nacional.

 Em sua intervenção inicial, o presidente Renato Rabelo fez uma breve referência aos principais acontecimentos da cena política e econômica mundial, para, em seguida, entrar no debate sobre o projeto do PCdoB para as eleições municipais deste ano.

 Assim, Renato destacou a importante repercussão da assinatura do Tratado Constitutivo da União Sul-americana de Nações (Unasul), organização dos países sul-americanos, em reunião de cúpula de seus respectivos presidentes, realizada em Brasília na semana passada. Na ocasião, também foi formada uma comissão para definir o Conselho de Defesa Sul-americano, com o objetivo de fazer a defesa estratégica da região.

 Renato lembrou, ainda neste contexto de luta antiimperialista no continente, a morte do líder guerrilheiro colombiano Manuel Marulanda, o “Tiro-Fixo”, fundador das Farcs, que dominam parte do território da Colômbia.

 Registro significativo foi feito pelo presidente do partido ao se referir às resoluções do 14º. Foro de São Paulo, realizado no Uruguai, que tem papel destacado na busca da unidade de ação das forças progressistas e revolucionárias, fortalecendo a luta antiimperialista e afirmando a perspectiva socialista no continente.

 Outro importante fato na conjuntura internacional é o fim de 240 anos de monarquia no Nepal, com a instalação da República a partir de uma decisão da Assembléia Constituinte, vitória de forças comunistas e outras organizações avançadas daquele país asiático.

 No plano econômico, a recessão americana vai se configurando, além do crescimento medíocre dos países da União Européia e do Japão. Os países em desenvolvimento são afetados pela crise sistêmica, de uma forma ou de outra, mas crescem mesmo assim, tendo como principais preocupações a inflação sobretudo pelo aumento do preço das commodities alimentícias e do preço do petróleo.

 Brasil
No quadro nacional, Renato Rabelo destacou o tema candente da soberania, que se manifesta através de várias questões. Uma delas é a contestação feita pelo estado de Roraima junto ao Supremo Tribunal Federal, quando levanta o problema da legalidade da União definir quase metade do território de um estado em reservas indígenas contínuas, ou seja, o tema do pacto federativo.

 Outra questão aflorou com força diante da divulgação pela Abin de levantamento da ação de interesses estrangeiros na região amazônica. A Amazônia é dos brasileiros, reafirmou o presidente do PCdoB, dizendo ser urgente a mobilização das forças avançadas da nação para definir um plano de desenvolvimento sustentado da região.

 Na esfera legislativa, Renato lembrou a decisão tomada pela Câmara dos Deputados, em primeiro turno, do aumento do número de vereadores, passando de 52 mil para 60 mil, democratizando a representação nas Câmaras de Vereadores.

 Outra grande batalha que está em pauta é a luta pela aplicação da emenda 29, assim chamada, para proporcionar o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

 Na área econômica, Renato destacou a importância da definição de uma nova política industrial mais realista e a criação do Fundo Soberano Brasileiro. Por fim, nesta apresentação rápida das principais questões da conjuntura econômica, o presidente constatou o aumento do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos como uma conseqüência negativa da política ortodoxa e contencionista do desenvolvimento – com a volta da elevação da taxa de juros – levada a cabo pelo centro conservador do Banco Central, contribuindo para o aumento da vulnerabilidade externa do Brasil.

 Projeto eleitoral
No que se refere ao projeto eleitoral do PCdoB, Renato Rabelo fez a defesa de uma resolução política da CPN para responder às exigências atuais da preparação do embate eleitoral deste ano. A seguir, o texto da resolução:

 Resolução da 22ª reunião da Comissão Política Nacional

No mês de julho próximo culmina a atual etapa de preparação da campanha eleitoral de outubro, com a realização das convenções municipais partidárias e a oficialização das candidaturas construídas.

A Comissão Política Nacional registra que o PCdoB – em todo o país –chega a esse momento com o êxito de ter sustentado o projeto que se vem construindo desde 2007, sob a consigna de maior afirmação do projeto partidário.

Mantém-se a perspectiva de lançamento de cerca de 360 candidaturas a prefeito(a) e, notadamente, se torna possível essa perspectiva em até 15 capitais e 50 outros dos municípios mais populosos do país. É possível alcançar um grande incremento de eleição de prefeitos(as) comunistas com respeito a 2004. Além disso, consolida-se a proposição de lançamento de cerca de 10 mil candidatos(as) a vereador(a), com perspectivas de mais que duplicar a representação de vereadores nas capitais do país e triplicar o número geral pelo país.

Tem sido positivo também o esforço em buscar dar concretude política ao Bloco de Esquerda. Esse objetivo, perseguido pelo PCdoB, encontra ambiente favorável com o PSB, PDT e PRB, levando em conta os interesses recíprocos de todos saírem fortalecidos nas eleições de outubro. A perspectiva dessa união em municípios como São Paulo e Rio de Janeiro, com candidaturas únicas, será uma importante sinalização política para o país. Ao lado disso, segue o esforço de sustentar alianças com as demais forças integrantes da base de sustentação do governo Lula, especialmente o PT.

É de destacar que várias candidaturas de capitais chegam a esta última fase em condições favoráveis, algumas das quais despontando com índices bastante favoráveis nas pesquisas, denotando candidaturas de grande expressão e prestígio político, capazes de aglutinar apoios políticos e sociais, polarizar o debate eleitoral com idéias avançadas, chegar ao segundo turno e vencer.
Para sustentar este projeto geral é preciso realizar um grande esforço. Nesse sentido, o PCdoB reitera as prioridades de seu projeto eleitoral nacional, centradas na disputa pela reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira em Aracaju; na disputa de Olinda, com Renildo Calheiros; do Rio de Janeiro, com Jandira Feghali; em Porto Alegre, com Manuela D´Ávila, e em São Paulo, com Aldo Rebelo.

 Outras prioridades poderão se estabelecer, com chances efetivas de vitórias, a serem apreciadas pelo Comitê Central após as convenções de junho. Terá, também, grande importância perseguir a vitória nos municípios com mais de 100 mil habitantes ou aqueles que são pólos regionais nos estados. A culminação da fase atual consolidando essa perspectiva precisa realizar um conjunto de tarefas:

 1) Segue necessário consolidar e ampliar o arco de apoios político-partidários às candidaturas majoritárias, com coligações amplas que permitam maior âmbito de expressão na propaganda eleitoral gratuita, mais extensa base social às candidaturas e maior número de vereadores(as) e deputados(as) em apoio às candidaturas;

 2) Concretizar em junho o esforço de conferir a essas candidaturas um programa nítido de proposições para as cidades, indo ao encontro das aspirações de desenvolvimento e progresso da população e melhor distribuição social dos seus efeitos. Isso vai ligado à definição do perfil da candidatura, do espaço político que se deve ocupar na disputa, das bandeiras concentradas que norteiam a linha publicitária, elementos integrantes da estratégia política da campanha.

 3) Estruturar e planejar as campanhas majoritárias, por intermédio da definição de sua coordenação política, de comunicação e propaganda, de finanças e tesouraria, da área jurídica, e instituição do comitê eleitoral que permita, tão logo seja registrada a candidatura pós-convenção, despregar com energia o trabalho de campanha propriamente dita, com uma agenda política bem estabelecida, de forma ampla, contando com a participação e iniciativa de apoiadores;

 4) Consolidar o esforço de constituir nominatas fortes de candidatos (as) a vereador (a), em chapas próprias ou em coligação, e definir com precisão os objetivos eleitorais para vereadores. Quando há candidaturas majoritárias, compor as nominatas levando em conta também os objetivos de sustentação delas e os interesses das forças aliadas;

5) Mobilizar amplamente as fileiras partidárias, apoiadores e forças aliadas para as convenções, como o primeiro grande ato político da campanha propriamente dita, demonstração do prestígio e apoio alcançados e da mobilização militante para a campanha. Assegurar o cumprimento da Resolução do Comitê Central de março passado, no sentido de implementar a Carteira Nacional Militante 2008 em toda a escala, como expressão do espírito militante.

6) Participar ativamente, no mês de junho, da mobilização nacional “Menos juros, mais desenvolvimento”, da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), da luta da CTB e demais centrais sindicais e do processo congressual da UJS.

São Paulo, 30 de maio de 2008
A Comissão Política Nacional



Escrito por Comunista às 15h36
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